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06/10/2018 - RIO LIDERA EM ROUBOS E FURTOS DE ARMAS DE EMPRESAS DE SEGURAN?A NO SUDESTE

Empresas de Seguran?a e Vigil?ncia n?o conseguem fazer sua pr?pria seguran?a e bandidos escolhem armas de cano curto, usado por vigilantes, para realizarem "assaltos no varejo".

 

Em dois anos, n?mero de desvios equivale ao desfalque de uma d?cada do arsenal das pol?cias

Por Bruna Fantti - O DIA - Publicado ?s 03h00 de 23/09/2018 - Atualizado ?s 11h22 de 23/09/2018

 

Rio - Em dois anos, o Estado do Rio foi o que, proporcionalmente, teve o maior n?mero de armas desviadas de empresas de seguran?a no Sudeste. ? o que aponta levantamento feito pelo DIA, com dados obtidos, junto ? Pol?cia Federal, via Lei de Acesso ? Informa??o.

No per?odo de 2016 e 2017 houve 1.084 armas roubadas, extraviadas ou furtadas das empresas no estado, de um total de 23.176, ou seja, 4,6%.

O n?mero de desvio de armas nas empresas de seguran?a do Rio nesses dois anos ? semelhante ao armamento perdido em uma d?cada pelas pol?cias civil e militar do estado, de acordo com a CPI das Armas da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Isso porque, em 2016, a Alerj concluiu que entre 2005 e 2015 foram cerca de 1.600 armas das for?as policiais extraviadas ou roubadas.

Apesar de S?o Paulo possuir nas empresas quase tr?s vezes mais rev?lveres, pistolas e espingardas do que o Rio, apresentou um desvio proporcional inferior em rela??o ao total do armamento: foram perdidas para o crime 2.134 armas de um arsenal de 68.822 (3,10%).

No Pa?s, de acordo com a Pol?cia Federal, h? cerca de 5,5 milh?es de armas autorizadas para porte nas empresas. Desse total, 4,6 milh?es s?o rev?lveres Ponto 38. Por lei, as empresas respons?veis pela seguran?a de patrim?nio, transporte de valores e de cargas s? podem utilizar armas como rev?lveres, pistolas Ponto 380 e espingardas.

De acordo com o especialista em armas Vin?cius Cavalcante, a restri??o do calibre facilita os roubos. "A criminalidade possui armamento muito superior. Como um vigilante pode se defender portando um rev?lver frente a um fuzil? ? por isso que essas armas caem nas m?os de bandidos e os desvios s?o alarmantes, superiores aos ocorridos nas for?as policiais", disse.

Ainda segundo Cavalcante, um exemplo de local que possui seguran?a particular armada, mas ? uma exce??o ? lei j? que pode utilizar armas de calibre longo como fuzis, ? a Casa da Moeda, que nunca registrou assalto.

De acordo com o especialista, as armas de cano curto roubadas influenciam diretamente no aumento da criminalidade. "Elas s?o utilizadas no chamado varejo, ou seja, para realizar assaltos em ?nibus, na rua. Traficantes chegam a alugar rev?lveres e pistolas para a pr?tica de crimes. A gente tamb?m tem a percep??o de que um grande n?mero de latroc?nios (roubo seguido de morte) ? resultante do uso dessas armas", afirmou.

Sete em cada 10 homic?dios s?o causados por armas de fogo

 

Segundo dados do Atlas da Viol?ncia 2018, desenvolvido pelo F?rum de Seguran?a P?blica (FSP) e pelo Ipea, sete em cada dez assassinatos no Brasil pa?s que registrou 64 mil mortes desse tipo em 2017 s?o cometidos com armas de fogo.

N?o h? um levantamento oficial sobre o n?mero de mortes provocados por calibre no Pa?s. De acordo com um dos pesquisadores que fizeram o Atlas, Daniel Cerqueira, a dificuldade ? a comunica??o por parte da pol?cia ao Minist?rio da Sa?de sobre o tipo de arma que motivou a morte.

Segundo dados passados pelo pesquisador, no Rio de Janeiro, foram registradas 4.019 mortes provocadas por armas de fogo. Desse total, foram repassadas ao Minist?rio da Sa?de 439 oriundas de disparos de rev?lveres e pistolas; 3.557 n?o especificaram o calibre. "Isso dificulta a realiza??o de um estudo sobre o tipo de calibre que causa a morte. Mas, podemos afirmar que 70% dos homic?dios s?o causados por armas de fogo", disse. Renato Lima, tamb?m pesquisador do F?rum, ressalta que o Instituto Sou da Paz j? fez um estudo em parceria com o Minist?rio P?blico de S?o Paulo sobre o tema. "Foi o ?nico levantamento que constatou, oficialmente, que as armas de cano curto s?o as mais utilizadas pelo crime. E isso deve seguir o mesmo padr?o nos outros estados", afirmou.

Atualmente, h? um projeto de lei da Alerj que prev? a instala??o de chips eletr?nicos em pistolas, fuzis e todo tipo de armamento.